quarta-feira, 21 de abril de 2010

Um pouco de som sem sono

Um ruído de Maná
Um eco perdido
Um seco molhado
Um texto lido
Um pretexto
Imprevisto
Um pouco de som sem sono
De cantar de lábios cerrados
En el muelle de San Blas
Um jogo frio sem preocupação
Coldplay

sábado, 17 de abril de 2010

Jornalista Ocioso

Há muito tempo largou o jeans velho e o cabelo comprido. As barbas também. Mas, principalmente, largara as grandes idéias, ideais, reportagens, para trás. Resolveu ganhar dinheiro. Dar opinião sobre tudo e sobre todos. Mas, principalmente, mentir. Foi comunista e tornou-se anticomunista. Foi torcedor de futebol e tornou-se um individualista jogador de xadrez, avesso à massa. Conquistou o país com seus comentários noturnos considerados inteligentes por pessoas que desconheciam informações básicas sobre geografia e história. Anda numa roda-viva, distribuindo autógrafos e posando para fotos, preenchendo o orkut de meio mundo. Lança moda. A última é literatura política para analfabetos políticos. Algo do tipo auto-ajuda para não iniciados nos conceitos básicos de política e filosofia. Ah, o sorriso! Que sorriso maravilhoso! Construiu o sorriso baseado nas últimas técnicas de cirurgia plástica e pesquisas sobre artistas de cinema mais atraentes que o mundo já viu e gostaria de ser. Freqüenta a sociedade apenas quando é pago. Comenta sobre o mundo moderno e o interior do Brasil - do qual conhece menos que um palmo - apenas quando é pago. Mas se você perguntar sobre o último livro ou comentário abre o sorriso e estende a caneta: - Onde quer que eu assine. Outro dia falou sobre o presidente e desfilou seu último clichê. Ele espera ser chamado, informalmente, é claro, pelo adversário político do presidente para auxiliá-lo em sua campanha. Informalmente, mas bem pago.

sábado, 27 de março de 2010

Trabalho

Soturno. O grisalho percorria as ruas do centro em busca de histórias. No quadrilátero da rodoviária, também chamado "inferno do crack", coletava retratos de uma sociedade distante das colunas sociais. Remunerava cada transeunte com uma moeda. Sabia que em pouco tempo o metal entraria no pulmão dos anônimos em outra forma. A remuneração em troca de umas palavras, de um perfil exclusivo de uma alma que se esconde durante o dia. Nunca fumou, nunca bebeu, nunca fornicou. Mais puro que um senador. Caminhava agasalhado, colhendo impressões não digitais. Essa tarefa, colher impressões digitais, deixava aos policiais do perímetro. Paisanos, caminhavam como aqueles viciados da rua escura de quatro faixas de rolamento. Achacavam qualquer um com arma em punho. Sobravam bofetões aos inocentes. Uma cruz para os culpados. O grisalho já havia cruzado com um paisano. O sujeito enfiou o ferro em suas costelas e rogou-lhe uma praga nos ouvidos. As palavras mais sujas que ouvira em sua vida. Mal sabia o paisano que o grisalho era o matador da Venda Nova, autor do best-seller "Encontros Marginais". Um giro perfeito sobre o próprio eixo e um golpe certeiro na jugular destruíram a empáfia do servidor público. O grisalho despiu-se do agasalho e seguiu seu caminho à caça de histórias para seu novo livro.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Banco de Talentos Febraban 2009

A 16ª edição do Programa recebeu um total de 478 inscrições válidas, assim divididas: 52 em Artesanato, 15 em Escultura, 92 em Literatura/Contos, 131 em Literatura/Poesias e 188 em Música.


O corpo de jurados reuniu-se durante o mês de setembro de 2009, na cidade de São Paulo, e foi composto por especialistas em cada tema.


Artesanato e Escultura – Elizabete Sílvia Pocay da Silva, Maria José Sanches e Maria Neusa Ataide.

Literatura/Contos – Caio Porfírio Carneiro, Hersch Basbaum e Rosani Abou Adal.

Literatura/Poesias – Carlos Francisco de Morais, Betty Vidigal e Milton de Godoy Campos.

Música – Edmilson Capelupi, José Domingos, Marcos Romera e Tutti Baê.


Após os exames e reuniões, os selecionados, por categoria, foram os seguintes:


Artesanato – Almir Nunes, Andrea Eiko Minazaki, Candy Mariá Garcia Martinez, Eder Flávio Polesi, Filipe Fernandes, Joel Pereira Silva, Jose Francisco de Araújo, Lígia Cristina da Silva, Maria Janete Marianoff, Manuel Rogério Cordeiro, Maria Angela Alvares Cacioli, Maria Paula Santos Pirollo, Morvan Ulhoa de Faria, Regina Franco e Sílvia de Fátima Alves.


Escultura - Erivan Araujo, Carmen Campetti, Flávio João Forlin, Lígia Cristina da Silva, Luciana Paula Reggiani Mattioli, Malaliel Jose de Souza, Minami Suenaga Jardineiro e Rosina Ilda Maria D’Angina.


Literatura/Contos – Adalberto Alves de Almeida, Athos Ronaldo M. da Cunha, Carlos Alberto de Souza Santana, Carlos Augusto Decupero, Cleideli Carrogi, Eduardo Rocha Neto, Fabiola Santos Rangel, Jose Cristian da Silva Pimenta, Lena Demara Pinheiro Nascimento, Luciana Fátima da Silva, Marco Antonio Hecksher Corrêa Neto, Rubem José Cabral Troncarelli, Sandra Romero de Santana Dias, Silvia Aparecida Boni Gattai Siffert, Taisa Prado Pereira de Jesus e Valdemar Bruno Luz Filho.


Literatura/Poesias – Adailson Jose Souza Santos, Agnaldo Tadeu Gomes, Alexandre da Silva Damasceno, Clóvis Mendes Silva, Denise Aidar Warnecke, Eduardo Hernandes, Elcio Ribeiro Pinto, Eliana Holtz, Flávio Augusto Albuquerque Silva, Francicarlos da Silva Diniz, Frederico Regis Pereira, Itamar Nunes de Souza, Itamar Mutchnik, Ivan Souza Costa, João Luiz de Oliveira Flora, João Porfírio Sobrinho, Maria Angela Alvares Cacioli, Maria Inês Lempek, Morvan Ulhoa de Faria, Ndjane Melo Santos, Norma Santi, Paulo César Paschoalini, Patrícia Maria de Carvalho Ferreira, Rodrigo Amaral Leite, Rosa Maia de Lima Geraldi, Sandra Romero de Santana Dias, Sebastião Fernando de Queiroz Gomes, Sérgio de Mesquita Serra, Sílvia Maria S.C. Souza, Teresinha Fedato Tavares, Vinícius Lima dos Reis, Wagner Laise de Andrade e Zoilo Bolognesi.


Música – Eduardo Gomes, Edvaldo Galdino Silva, Gilton Della Cella, Hugo de Luna Freire Sobrinho, Jefferson Marcos Gomes do Carmo Silva, Lúcia Helena Lemme Weiss, Luis de Souza Santos, Luiz Carlos Vidal Maia, Mara da Costa Fontes, Ubirandí Tavares de Albuquerque e Wilma de Araujo Bezerra.

sábado, 13 de março de 2010

Buda que Bariu!

Uma gripe chegou sorrateiramente no templo.
Um monge e dois turistas foram atingidos.
- Buda que bariu! - exclamou o monge.
- Puta que pariu! - registrou um dos turistas no caderno.
Era jornalista. Em férias, dizia.
O monge olhou para o caderno e reclamou.
- Você não vai registrar isso.
- Não posso?
- Nem fudendo.
Espantado, o jornalista recolheu as coisas na mochila e saiu correndo.
Foi a última vez que eu vi um monge tão puto quanto aquele.
Para ficar registrado, eu era o outro turista.
Gravei toda a cena com uma câmera. Não coloquei no Youtube porque, quando eu tentei fugir do monge, ele me deu uma rasteira e uma sova. Hoje, ele é o maior documentarista do Youtube. Seus melhores trabalhos são: "A vida dos grilos", " O voo do pássaro" e "Uma forma de viver em paz longe de turistas espertinhos".

Um pouco de suor no rosto

A pedra, o padre, o Pedro
Ah, pedra! Oh, padre! Ó, Pedro!
Um pouco de suor no rosto
E descubro que a maçonaria
Vem de pedreiros
Construtores de igrejas
Pedreiros livres!
Isso existe?
Liberdade de pedreiros?
Na maçonaria não deve haver mais pedreiros...

segunda-feira, 1 de março de 2010

O galo

O galo cantou às cinco da manhã. Rompeu o silêncio matutino. Levou uma pedrada. Respondeu com outro canto mais demorado. Abriram as janelas os curiosos. Levou outra pedrada. Resolveu mudar o disco. Cacarejou, cacarejando. Já eram quase seis e o galo não parava de cacarejar. O menino da vizinha puxou aquela espingarda de chumbinho para fora da janela e o tiro foi seco. O silêncio surgiu para alegria dos trabalhadores ainda cansados. Não deu tempo nem de fazer o café e lá estava o galo cacarejando novamente. O menino botou a cara para fora da janela e só viu uma piscadela do galo em sua direção. Amanhã eu te pego, disse o menino. Vamos esperar. Vamos esperar para ver o final da história.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Os pássaros cantam lá fora...

... e aqui dentro, insone, ele escreve uma linha sobre o assunto.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Sem inspiração nos dias quentes

Tentei escrever um livro, um conto, mas só consigo expor no meu blogue essas frases aqui. Estou no final de minhas férias e só consegui elaborar algumas poucas páginas. O calor está me sufocando. Imaginei que à noitinha conseguisse trabalhar o texto, mas a temperatura tem sido a mesma do período que vai das oito da manhã às oito da noite. Às vezes pior. Como escritores conseguem escrever durante um suadouro? Prometi outra coisa antes das férias. Prometi que voltaria a correr. Impossível. Se não consigo escrever, que é uma tarefa física mais tranqüila, quiçá correr na rua, sobre o asfalto quente. Outro dia tentei caminhar. Fui até o supermercado e voltei. Há uma subida na ida. Na volta a inclinação facilitaria a minha vida, mas isso de nada adiantou. Peguei uma insolação e só me recuperei depois de um banho gelado e de beber muita água. Um dia depois, soube, foi o mais quente, com maior incidência de raios ultravioletas no ano. Que sorte a minha, pensei. Agora, estou aqui, com a promessa quebrada entalada na garganta. Depois do carnaval eu volto a trabalhar, provavelmente, acima do peso e sem uma história digna de publicação.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O barulho no condomínio

O dia começou no meu condomínio. O barulho é sinal de que alguém deveria estar morta. Opções? Não tenho. Moro de aluguel. O bairro é bom, tranqüilo, até o portão. Dentro do condomínio há uma voz que grita. As outras a seguem em coro. Uma lástima. Sábado e domingo era dia de descanso, até a mudança de governo no condomínio. Alguém grita pela filha na porta de minha casa. Poderia ter continuado a morar nos fundos, porém vagou há um ano um sobradinho na frente, todo mobiliado. Esse é o preço. Descobri há algum tempo que a filha, na verdade, é uma cadela. Não imaginava uma criança tão tola e surda que só respondesse aos apelos da "mãe" por causa de gritos intermitentes desta. Eu vou colhendo o que plantei. Um dia, quem sabe, eu colho uma residência no meio do mato ao lado de um fio d'água.